O PAPA FOI POP E ENTENDEU O CORRE
DO CAOS AO RISCO
O papa Francisco morreu essa semana, aos 88 anos.
Fofíssimo. Diferente. Do povo. Misericordioso.
Parecia estar levando a Igreja Católica para um novo caminho, mais aberto ao diálogo e à diversidade. Tentou, em suas falas, abrir os olhos dos cristãos para o acolhimento, ao invés do julgamento. E até falou sobre tatuagem em um desses momentos, ainda lá em 2018.
Na bíblia há um único versículo que cita as gravações ou marcas do corpo, em Levíticos, o livro das leis e regulamentos da vida religiosa.
"Não façam cortes no corpo por causa dos mortos, nem tatuagens em vocês mesmos." (Levítico 19:28)
Aqui, não se fala exatamente da tatuagem como conhecemos hoje — estética, com intenção artística ou afetiva —, mas faz referência às marcações corporais que os povos do Antigo Oriente Médio faziam durante rituais mágicos ou religiosos.
As leis de Levítico tinham o objetivo de diferenciar o povo hebreu desses outros povos.
Esse trecho tá lá no Antigo Testamento e, no Novo, não há nenhuma menção à tatuagem.
D’EUS, DE VÁRIOS EU’S
Hoje, quem tatua — modifica — o próprio corpo, talvez não o faça como um rito para um deus externo, mas como um rito de retorno, pra si.
Aqui, poderia trocar o “Deus” com “D” maiúsculo, da Igreja Católica, para o “d’eus, de vários eus”, como citou a Linn da Quebrada algumas vezes, com sua visão tão única e bonita sobre espiritualidade e identidade.
“Entendo que religião significa religar, conectar. Eu gosto muito de pensar que a palavra Deus é formada de “eus”. Justamente por isso, só posso acreditar em um Deus que também acredite na minha existência.”
E se antes o corpo era moldado pela culpa, hoje ele pode ser moldado pela consciência. Tatuar é, muitas vezes, marcar para sempre algo que passou, ficou, ou que ainda pulsa.
O papa Francisco entendia isso muito bem.
O PAPA É POP
Em março de 2018, durante uma reunião com jovens aspirantes a padres, a pauta principal era como dialogar com a nova juventude e, quando questionado sobre as tatuagens, o papa respondeu:
“Não se espantem com as tatuagens. […] A tatuagem indica pertencimento. Você, jovem, que se tatuou assim — o que está buscando? Que pertencimento essa tatuagem expressa? […]”
Realmente, ele foi um papa diferenciado. Tratou a tatuagem como ela é: pertencimento.
TATUAGEM É MAPA
Toda a história da tatuagem moderna, e até das marcações corporais dos povos africanos antes mesmo da popularização da tatuagem da forma que conhecemos, é sobre isso: pertencimento e identidade.
Os marinheiros, que ajudaram a difundir a tatuagem no Ocidente, tatuavam, além de figuras e nomes de suas amadas, símbolos nacionalistas e os nomes de seus portos de origem. Acreditavam que, assim, caso seu navio naufragasse, Iemanjá saberia para onde levar seu corpo.
Soldados, da mesma forma, marcavam em seus corpos siglas de quartéis, batalhões e símbolos da pátria.
Povos africanos, há séculos, marcam a pele com escarificações que são seus sinais de origem, linhagem e comunidade. Depois, com a escravidão, foram também, muitas vezes, marcados à força com siglas e símbolos que remetiam a seus “donos”.
Essas e outras histórias estão no livro Uma história da tatuagem no Brasil, da Silvana Jeha. Mas deixo pra aprofundar em outro momento.
Por enquanto, fica o lembrete de que cada risco no corpo é, tambem, uma tentativa de dizer: eu vim de algum lugar. Eu sou alguém.
ONDAS PARA DAR SORTE
Ou gás, nesse caso!
Criei uma playlist pra ouvir fazendo aquele treino pesado na academia! Eletrônica e energética, pode ouvir na ordem que vai bater certo. Depois me conta o que achou!
PENSANDO ALTO
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